IMAGINAÇÃO E ARTE
A inspiração é o elemento inconsciente da criação. Pode-se, às vezes, compará-la a uma espécie de loucura. Outras vezes, é uma revelação divina; de qualquer modo, isto quer dizer – durante a inspiração há um aumento extraordinário de sentimentos e uma inundação de idéias e imagens.
O conceito de revelação é uma simples descrição do que se passa, enquanto significa fazer-se algo visível, de repente, e com certeza e precisão ou algo que comova profundamente e subjugue o espírito.
Brilha o pensamento como o raio: é um rapto, um completo estar fora de si... Tudo é invocado como agrado, com sensação de liberdade.
O desenrolar da invenção ou criação não é o mesmo em todas as circunstâncias. Quando o processo é completo, o primeiro que se apresenta é a idéia, o problema; depois de certo tempo de incubação, segue-se a invenção, e, finalmente, a verificação ou aplicação. Quando o processo é incompleto, depois de uma idéia, temos a ocorrência, logo a evolução. Assim procedem os espíritos intuitivos. Ambos os procedimentos não se distinguem essencialmente, pois, no segundo, a idealização é pouco durável e ademais, a terceira fase – “verificação” – é proporcionalmente mais durável, nota-se que no primeiro processo o fator principal se apresenta durante a idealização.
A fantasia criadora tem dois períodos na vida de cada homem: a idade da fantasia, do sonho, própria da juventude; seus temas são histórias e interpretações fantásticas do mundo.
Quando a juventude está acabando, a fantasia vai se transformando. Inicia-se uma nova maneira de encarar a vida, os objetos, que despertam interesses, são novos e sérios. O sonho passa a ter o seu verdadeiro sentido, como algo quase incapaz de se realizar. Enfrenta-se a vida somente através da razão.
Não é nada simples limitar o domínio da imaginação. Pode-se mesmo dizer que é muito difícil. A imaginação é a representação mental de algo que vemos, sentimos e esta se enquadra na própria percepção.
Frequentemente, chama-nos a atenção as extraordinárias maneiras como se manifestam a capacidade de criação e o talento de alguns artistas, na música, na pintura, na poesia e nas invenções mecânicas.
Obras que nos deixam extasiados ante sua perfeição e capacidade de fazer-nos sentir sua verdadeira significação.
Na verdade, a pintura requer tanto educação dos sentidos – quanto dos movimentos manuais. A música, a aprendizagem musical, a poesia necessitam de experiências pessoais, afetos e uma grande reflexão. Mas de que adiantariam todo este saber e esta experiência se não houvesse algo de maravilhoso e perfeitamente indispensável: a capacidade de criar?
Criar é tomar uma pauta em branco e compor uma “Polonaise”, tomar uma tela, onde há apenas o vazio e extasiar o mundo com um sorriso de mulher, é transportar a nossa alma para algumas linhas e fazer o nosso amigo ou o nosso irmão ouvir as palavras que naquele momento ele sente necessidade de ouvir. É transformar uma pátria grandiosa em um soneto. É, enfim, dar expansão à obra de Deus, modelar o mundo em que estamos, saber conservá-lo através do belo.
Além do mais, agradecer ao Supremo Criador sua generosidade e lembrança de doar a alguns dos seres seus semelhantes, a capacidade de poder criar algo que traga um benefício e admiração em número tão elevado que permaneçam através da historia.
Ângela Marta Flexa Rievers
1960